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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

NIKON, CIA DE FOTO

Conheço pouco os meninos pessoalmente, mas a Cia de Foto já faz algum tempo, e talento, ali sobra!  Vezes 3 por assim dizer!

Eu faço parte de um coletivo fotográfico que existe muito antes do nome coletivo existir. Veja aqui o ROLE. Há muito tempo o ROLE e a Cia de Foto se encontram em eventos, exposições, editais e afins de fotografia still. O trabalho deles é impecável, em vários aspectos! Muito bom encontra-los dirigindo filmes.

Quando o diretor de produção Guilherme Passos, trabalhando para a ParanoidBR me ligou e falou do projeto, eu logo ví que o B.O. seria grande. Na fotografia, Pierre de Kerchove, novidade no meu cenário e profissional otimo de se trabalhar, ciente do que precisa, valeu!

A dificuldade desse trabalho foi ter que filmar na água com um equipamento sem um housing (caixa estanque) adequado. A camera, uma NIKON D7000.

Recebi um exemplar da camera para verificar as dimensões e consegui providenciar uma adaptação da maquina dentro de um housing para outro equipamento! Fiz testes de vedação e tudo funcionou, porém com poucos comandos de controle `a disposição. Dentro da água tudo que vc precisa é ter controle, e isso me faltava em alta escala. Filmar na praia, batendo onda nas costas numa das maiores ressacas do ano no Rio de Janeiro e a 6 metros de profundidade na piscina de saltos do Complexo  Maria Lenk   sem ter controle, mínimo que fosse, seria suicídio profissional!

Conversando com o Pierre resolvemos tentar um splash bag. O equipamento, embora precário, deu a possibilidade de mínimo controle. MÍNIMO é mínimo, embora seja mais do que nenhum! Fui pro front armado de biribinha.  Em sã consciência ninguém colocaria um splash bag a 6 metro de profundidade! Mas eu conto o truque. Jamais confiei em sacolinhas com ziplock e velcro de vedação, e no mercado esta cheio destas "maravilhas" pra proteger celular, dinheiro e pequenas cameras em praias e afins... deve ate funcionar se vc não colocar na agua, mas aí, perde o por quê. 

A relação é simples: ar na água sobe, e eu preferi confiar na vedação de cola e costura do Splash do que no sistema de fechamento dele. Virei o splash bag de ponta-cabeça, inverti a camera, calibrei a flutuabilidade com um lastro na alça do equipamento e pronto. Mesmo com o ziplock e o velcro abertos, assim como um balde virado pra baixo, a água não entraria. A partir dai foi controlar a inclinação e submergir de olho nas bolhinhas de ar.

Mas não foi simples assim. Diferente de um housing apropriado, o splash não é feito de material rígido, e a medida que aumenta a profundidade, a pressão comprime o equipamento maleável e começa a inviabilizar os comandos, já que todos os botões da camera começam a ser acionados aleatóriamente. Outro problema de operar um equipamento desses nessa situação é que o PORT (parte do housing ou do splash bag que protege a lente) tem uma medida única, e no caso longa! Usando uma 35mm com aproximadamente 10 cm de comprimento num PORT para lente de 20cm, significa que meu ângulo de imagem fica "croppado", vinhetado! Então o jeito é lutar contra o PORT flexível e comprimi-lo na força para ajusta-lo próximo da base da minha lente...O material translucido de um port, flat ou domus, pode ser ter muitas origens; plástico, vidro, cristal, poliestireno, quanto mais nobre o material, melhor é a qualidade de refração, o que implica diretamente na qualidade da imagem em nitidez e principalmente aberrações cromáticas.

O risco de alagamento foi constante; os comandos disparavam com vontade própria, alterando as calibragens fotográficas; o port demandava uma mão inteira de atenção; e pra completar o Sol a contra luz no plástico altamente reflexivo, inviabilizava qualquer possibilidade de plena vizualização para enquadramento. Nem toda cana é macia de chupar.

Como publicidade mostra um segundo, aqui eu mostro um pouco mais.  Depois do filme propriamente dite, tem alguns takes brutos relatando o sofrimento.  Parabéns equipe ParanoidBR, lindíssimo filme!